Cavalgada em Urubici: passeios a cavalo pela Serra Catarinense

Cavalgada em Urubici: passeios a cavalo pela Serra Catarinense

Tem um jeito de conhecer Urubici que nenhuma trilha a pé, nenhum mirante e nenhum carro consegue replicar. É de cima de um cavalo. Quando você monta e começa a andar pelos campos de altitude, por entre araucárias centenárias, cruzando riachos de água gelada e subindo caminhos que tropeiros usaram há mais de 200 anos, algo muda. O ritmo do cavalo dita o tempo. O silêncio dos campos entra. E você percebe que está vendo a serra da mesma maneira que ela foi vista por gerações inteiras antes de existir estrada, carro ou celular.

Nós do Sítio Joani crescemos vendo cavaleiros passarem pela estrada, conduzirem gado pelos campos, chegarem no armazém montados. O cavalo não é atração turística em Urubici — é parte da vida. As cavalgadas para visitantes são uma extensão natural dessa cultura, e é por isso que funcionam tão bem: você não está em um parque temático montado em um cavalo manso que segue um trilho. Você está no mundo real da serra, guiado por gente que nasceu na sela.

A tradição tropeira e o cavalo na Serra Catarinense

Para entender por que a cavalgada em Urubici é diferente de passeios a cavalo em outros destinos, é preciso conhecer o contexto.

A Serra Catarinense foi desbravada por tropeiros — homens que conduziam tropas de muares e gado entre o Rio Grande do Sul e São Paulo, passando pelos caminhos da serra. Essa tradição começou no século XVIII e moldou a cultura, a gastronomia e o modo de vida da região. Os tropeiros dormiam em ranchos ao longo do caminho, cozinhavam no fogo de chão, comiam charque, pinhão e feijão, e dependiam totalmente dos cavalos para se deslocar.

Os caminhos dos tropeiros ainda existem. Muitos se transformaram em estradas — a SC-370, por exemplo, segue trechos do antigo caminho das tropas. Mas outros continuam como trilhas rurais, acessíveis apenas a pé ou a cavalo. São esses caminhos que as cavalgadas em Urubici percorrem.

Cavalgar aqui é, de certa forma, refazer história. Os campos que você atravessa, os rios que você cruza, as araucárias sob as quais você para para descansar — são os mesmos que os tropeiros viam há 250 anos. A paisagem não mudou. Essa continuidade é rara e poderosa.

Para quem se interessa pela cultura rural da região de forma mais ampla, temos um guia sobre turismo rural em Urubici.

Tipos de cavalgada disponíveis

As cavalgadas em Urubici variam em duração, dificuldade e cenário. Vamos detalhar as opções mais comuns para que você escolha a que melhor se encaixa no seu perfil.

Cavalgada curta (1 a 2 horas)

Para quem é: famílias com crianças, pessoas sem experiência a cavalo, quem quer experimentar sem comprometer o dia inteiro.

O que esperar:

  • Percurso por campos de altitude com araucárias, geralmente dentro ou ao redor da propriedade do condutor.
  • Cavalos mansos e treinados para iniciantes.
  • Guia acompanhando de perto, muitas vezes puxando o cavalo para quem nunca montou.
  • Parada para fotos e contemplação.
  • Sem trechos técnicos ou rios para cruzar.

Dica: é o formato ideal para quem nunca montou. Você vai pegar o básico — equilíbrio, postura, comandos simples — e aproveitar a paisagem sem preocupação.

Cavalgada de meio dia (3 a 4 horas)

Para quem é: adultos com alguma familiaridade a cavalo (ou disposição para aprender rápido), casais, pequenos grupos.

O que esperar:

  • Percurso mais longo por campos, matas e estradas rurais.
  • Possível travessia de riachos rasos.
  • Parada para lanche (geralmente incluso) com vista para a serra.
  • Trechos de trote para quem tem experiência.
  • Contato mais demorado com a paisagem — tempo suficiente para realmente absorver o ritmo.

Dica: essa duração é o ponto ideal entre experiência significativa e conforto físico. Quem não está acostumado a montar vai sentir as pernas e o quadril — é normal. Use calça comprida justa (jeans funciona), evite costuras grossas na região interna da coxa e use bota ou calçado fechado com salto mínimo.

Cavalgada de dia inteiro (6 a 8 horas)

Para quem é: cavaleiros com experiência, aventureiros, quem quer uma imersão completa.

O que esperar:

  • Percurso longo por diferentes tipos de terreno: campos abertos, florestas, trilhas de tropeiro, travessias de rios.
  • Almoço no meio do caminho — muitas vezes preparado no fogo de chão pelo guia, estilo tropeiro (arroz, feijão, carne, pinhão).
  • Galopes em trechos de campo aberto (para quem tem experiência e o guia autorizar).
  • Visita a pontos que não são acessíveis de carro — vales remotos, mirantes escondidos, nascentes.
  • Contato prolongado com o cavalo — tempo suficiente para criar conexão com o animal.

Dica: traga protetor solar, chapéu ou boné (que não voe com o vento), água e agasalho. Mesmo em dias quentes, trechos de sombra na mata podem ser frios. Se não tem experiência longa a cavalo, prepare-se para desconforto muscular nos dias seguintes. Vale cada dor.

Cavalgada de pernoite (2 ou mais dias)

Para quem é: aventureiros dedicados, grupos organizados, quem quer a experiência tropeira completa.

O que esperar:

  • Percurso que pode cobrir 30 a 60 km ao longo de 2 ou 3 dias.
  • Pernoite em ranchos, galpões ou acampamento — condições rústicas.
  • Todas as refeições preparadas no caminho, estilo tropeiro.
  • Trechos variados de terreno, incluindo travessias de rio mais sérias.
  • Experiência de desconexão total — sem sinal, sem estrutura urbana, sem pressa.

Dica: esse formato geralmente precisa de grupo mínimo e agendamento com antecedência. Converse com os condutores locais sobre disponibilidade. É a experiência mais autêntica e transformadora, mas exige preparo físico e disposição para rusticidade.

O que vestir e levar para uma cavalgada

Roupa:

  • Calça comprida justa e confortável. Jeans tradicional funciona, mas calças de montaria ou leggings grossas são melhores para cavalgadas longas. Evite shorts — atrito com a sela vai machucar.
  • Camisa de manga longa para proteção solar e contra galhos.
  • Agasalho amarrado na cintura ou na sela — o tempo muda rápido.
  • Capa de chuva compacta na mochila (se houver previsão).

Calçado:

  • Bota com salto pequeno é o ideal — o salto impede que o pé escorregue pelo estribo.
  • Tênis de cano alto funciona em cavalgadas curtas.
  • Nunca monte de chinelo, sandália ou sapatilha.

Acessórios:

  • Chapéu ou boné com prendedor (o vento leva).
  • Protetor solar — você fica exposto por horas.
  • Óculos de sol.
  • Garrafa de água.
  • Câmera ou celular com capa protetora (trepidação do cavalo).

O que NÃO levar:

  • Mochila grande — atrapalha o equilíbrio e incomoda o cavalo. Leve pochete ou mochila pequena rente ao corpo.
  • Objetos soltos nos bolsos — podem cair durante trote ou galope.
  • Perfume forte — pode irritar o cavalo.

Como funcionam os passeios: condutores e reserva

Em Urubici, as cavalgadas são oferecidas por proprietários rurais e condutores locais — não por grandes empresas de turismo. Isso tem vantagens e peculiaridades:

Vantagens:

  • Os cavalos são bem tratados e vivem soltos nos campos — não ficam confinados esperando turistas.
  • Os guias são moradores locais que conhecem cada palmo do terreno, cada rio, cada atalho.
  • A experiência é genuína — você está participando de algo que faz parte da vida deles, não de um produto embalado.
  • Preços geralmente mais acessíveis que em destinos turísticos maiores.

Como reservar:

  • A maioria dos condutores não tem site ou sistema de reserva online. O contato é por telefone ou WhatsApp.
  • Pergunte na sua hospedagem — é a melhor forma de encontrar condutores confiáveis. Nós do Sítio Joani temos contatos diretos e ajudamos nossos hóspedes a agendar.
  • Reserve com pelo menos 2-3 dias de antecedência. Em alta temporada, mais.
  • Grupos grandes (acima de 6 pessoas) precisam de mais cavalos e mais guias — agende com semanas de antecedência.

Custos:

  • Cavalgadas curtas (1-2h): R$ 80 a R$ 150 por pessoa (valores de referência, sujeitos a variação).
  • Meio dia: R$ 150 a R$ 300 por pessoa, geralmente com lanche incluso.
  • Dia inteiro: R$ 250 a R$ 500 por pessoa, com almoço tropeiro.
  • Pernoite: sob consulta, varia conforme duração e grupo.

Importante: os valores são aproximados e podem variar conforme o condutor, a época e o tamanho do grupo. Sempre confirme antes.

Segurança: o que saber antes de montar

  • Ouça o guia. Ele conhece o cavalo que você está montando — sabe se é calmo, se tem manias, se tende a acelerar em determinados trechos. Siga as instruções.
  • Não grite nem faça movimentos bruscos. Cavalos são animais sensíveis a sons e movimentos repentinos.
  • Mantenha distância do cavalo da frente. Pelo menos dois corpos de cavalo. Se o da frente parar ou corcovear, você tem tempo de reagir.
  • Se o cavalo disparar, não entre em pânico. Puxe as rédeas firme mas sem brutalidade, direcionando o cavalo em círculo. O guia vai ajudar.
  • Crianças: a maioria dos condutores aceita crianças a partir de 5-6 anos, montadas com um adulto ou em cavalo puxado pelo guia. Confirme idade mínima ao reservar.
  • Peso: cavalos têm limite de peso. Seja honesto sobre seu peso ao reservar para que o condutor selecione um cavalo adequado.

A experiência além do passeio

O que torna a cavalgada em Urubici memorável não é só a paisagem — são as histórias. Os guias são, quase sempre, moradores rurais com décadas de vivência na serra. Se você demonstrar interesse genuíno, eles vão compartilhar:

  • Histórias de tropeiros que passaram por aqueles caminhos.
  • Nomes de plantas e suas utilidades (medicinal, culinária, construção).
  • Lendas locais sobre formações rochosas, rios e animais.
  • O cotidiano da vida rural — como é o manejo do gado, a produção de queijo, a lida diária com o frio.
  • Onde ficam os melhores mirantes que ninguém conhece.

Pergunte. Escute. Essas conversas são tão valiosas quanto a paisagem.

Dicas práticas para aproveitar ao máximo

  • Não coma demais antes de montar. O balanço do cavalo pode causar desconforto estomacal. Coma leve.
  • Alongue antes e depois. Quadríceps, isquiotibiais, lombar e quadril. Seu corpo vai agradecer no dia seguinte.
  • Fotografe com cuidado. Se quer tirar fotos durante a cavalgada, peça ao guia para parar. Tentar fotografar com o cavalo em movimento é receita para celular no chão (e para desequilíbrio).
  • Respeite o cavalo. É um ser vivo, não um veículo. Agradeça no final — pode parecer bobo, mas um afago no pescoço do cavalo é um gesto bonito que os guias valorizam.
  • Combine a cavalgada com outros programas. Uma cavalgada pela manhã e um almoço num restaurante de truta, por exemplo, é um dia perfeito em Urubici.

Para mais ideias de como montar seu roteiro, veja o que fazer em Urubici.

Perguntas frequentes

Nunca montei a cavalo. Posso fazer cavalgada em Urubici?

Pode, sim. As cavalgadas curtas (1-2 horas) são pensadas para iniciantes. Os cavalos são selecionados por temperamento manso, e o guia acompanha de perto. Você vai receber instruções básicas antes de montar: como segurar as rédeas, como dar comandos de direção, como parar. Não espere galopar na primeira vez — o objetivo é caminhar e apreciar a paisagem. Para nosso guia completo de hospedagem e planejamento, veja hospedagem em Urubici.

Qual a melhor época para cavalgada em Urubici?

Todas as estações funcionam, cada uma com um atrativo diferente. O outono (março a maio) tem temperaturas amenas e campos dourados — talvez a época mais fotogênica para cavalgar. O inverno (junho a agosto) é deslumbrante com geada nos campos, mas o frio intenso pode ser desconfortável em cavalgadas longas. A primavera tem flores e o verão tem dias longos. Evite dias de chuva forte — estradas e trilhas ficam escorregadias e o passeio perde qualidade.

É seguro para crianças?

Sim, com algumas condições. A maioria dos condutores aceita crianças a partir de 5-6 anos. Crianças menores podem montar no colo de um adulto ou em cavalo puxado pelo guia. Crianças maiores (acima de 10 anos) geralmente montam sozinhas em cavalos selecionados para o tamanho e experiência. Sempre comunique ao condutor a idade e o peso das crianças para que ele escolha os cavalos adequados.

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